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EXPOSIÇÕES | EXHIBITIONS |
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1981 FOTO-GRAFIAS _Galeria Mercado de Escravos, Lagos
Fora desta série, as fotografias mostram diferenças formais e intencionais, mas conservam a mesma especificidade na relação imagem/observador. Silhuetas recortadas em espaços e situações pouco identificáveis, objectos deslocados em ambientes onde se expõem, fazem surgir o mistério, por vezes a tocar as raias do nonsense , imagens em que a persistência das formas se faz sentir im portante. Numa das salas, são apresentadas imagens de corpos ou fragmentos destes, rastos de si próprio pelo movimento impressionado, suscitando a ambiguidade em imagens fantasmáticas . Negando o instantâneo, a situação no espaço e no tempo (o presente), acentua-se o c ontinuum do registo (o intem poral). Negando-se à definição, nega-se o carácter referencial, a fidelidade ao objecto, restando imagens prolongadas no papel, reveladoras duma outra memória inatingível para a retina humana, e ocultando-nos a memória verosímil mas também ela degradável, reproduzida apenas pelo desejo do fotógrafo e ante os seus olhos. "PROFANAÇÃO INTEMPORAL" do "Promontorium Sacrum" dos gregos e romanos, presente no próprio sentido do acto de fotografar…
1985 FOTOGRAFIAS 82-84 _Livraria-Galeria Quarto Crescente, Portimão
ÁLVARO LAPA/ANTÓNIO GANCHO_JOSÉ CARLOS GONZALEZ_JOÃO VIEIRA
1993 LIMIARES _Museu Nacional de História Natural, Lisboa Trata-se de um conjunto de fotografias (cibachrome) em grandes dimensões de rostos fotografados sobre um fundo preto e com uma luz directa, tiradas num hospital entre 1991 e 92. São rostos serenos de pessoas, que tal como o título indica, se encontram num lugar de passagem, neste caso, no limiar da vida. Algumas acabaram por morrer e outras conseguiram encontrar o caminho de volta. Todas elas enfrentaram a possibilidade de morrer num hospital, afastadas dos olhares dos vivos. "Devolver o rosto da morte ao nosso tempo, que o perdeu", é, nas palavras de Luís Campos, uma das intenções desta série de imagens. As fotografias constituem o convite do artista para nos confrontarmos com uma presença que cada vez mais nos tem sido negada pela vida moderna, a daqueles que se encontram próximo da morte.
1994 TRANSURBANA _Museu Nacional de História Natural, Lisboa A indiferença não é senão a manifestação da impotência. "Transurbana" é uma viagem através da cidade, em busca dos seus habitantes nos seus ambientes. Na pista das fronteiras dos guetos emergentes e das suas raízes, dos acantonamentos de refugiados dos pequenos sítios, das figuras em trânsito nos desertos cinzentos, dos horizontes entaipados, dos que não podem envelhecer com o ciclo das árvores. Os olhares vagos, os rostos cansados, a solidão deambulante, os sem-nome, os sobreviventes, os guerreiros e os acoçados, os que esperam e os desesperados. "Transurbana" é uma viagem através da realidade para criar uma ficção. A ficção de uma cidade tendencial, dividida. Imagens que pretendem despertar o reconhecimento ou induzir o enigma, em qualquer dos casos convocar a emoção e quebrar a indiferença. Retratos dos habitantes de uma metrópole, no seu ambiente… de Lisboa, por acaso.
1995 A ÚLTIMA VISÃO DOS HERÓIS _Galeria Diferença, Lisboa “A última visão dos heróis” é uma instalação fotográfica de dez cibachromes, exibida pela primeira vez na galeria Diferença, entre 28 de Setembro e 11 de Novembro de 1995.
2002 MEMÓRIA DE ÁGUA _Galeria Luís Serpa Projectos, Lisboa Memória de Água é uma exposição de imagens obtidas na Aldeia da Luz e nos seus arrabaldes, incluindo o Rio Guadiana, entre 2000 e 2001. Memória de Água é uma exposição sobre a perda, a perda da memória dos pequenos sítios, da identidade dos lugares, das pessoas, dos usos e costumes, a perda da sensação de pertença, perda que se acentua lentamente, global e inexorável, mas que é ainda mais brutal quando é decidida a prazo, provocada e repentina, como é o caso do Alqueva, como será a perda da Aldeia da Luz. No entanto, a água que a vai submergir pode também ser encarada como a guardiã do que é submerso. Água que corre fluida, em movimento perpétuo, em permanente mutação, como a memória... No acto de fotografar está contido um sentido de luto mas também de substituição simbólica, tornando-se simultâneamente um acto de separação e de preservação. As fotografias foram submetidas a processos de desfocagem, o que, de alguma forma, pretende evocar a acção do tempo sobre a memória.
2002 ALDEIA DA LUZ _Galeria Central Tejo, Lisboa Aldeia da Luz foi uma exposição-instalação de imagens obtidas na própria aldeia e nos seus arrabaldes, incluindo o Rio Guadiana, entre 2000 e 2001. Aldeia da Luz é uma exposição sobre a perda, a perda da memória dos pequenos sítios, da identidade dos lugares, das pessoas, dos usos e costumes, a perda da sensação de pertença, perda que se acentua lentamente, global e inexorável, mas que é ainda mais brutal quando é decidida a prazo, provocada e repentina, como é o caso do Alqueva, como será a perda da Aldeia da Luz. No entanto, a água que a vai submergir pode também ser encarada como a guardiã do que é submerso. Água que corre fluida, em movimento perpétuo, em permanente mutação, como a memória... A apresentação foi feita em duas salas. Na primeira, sete projectores no tecto projectaram num chão coberto de água, em simultâneo, diapositivos a preto e branco, num total de 560. Estas imagens foram obtidas pelos habitantes da Aldeia da Luz a lugares ou objectos, dentro ou fora de casa, por que sentissem particular afecção, e que serão submersos após a subida das águas. Neste acto de fotografar está contido um sentido de luto mas também de substituição simbólica, tornando-se simultâneamente um acto de separação e de preservação. Na segunda sala apresentou-se uma série de fotografias do autor, a preto e branco, de 120cmx120cm, submetidas a processos de fragmentação, ocultação parcial, desfocagem e outros que de alguma forma pretendem evocar a acção do tempo sobre a memória.
2004 LIMBO _Luzboa Bienal Internacional da Luz, Lg. do Teatro S. Carlos, Lisboa Instalação de arte pública, integrada na Bienal da Luz , LUZBOA , Junho de 2004 Entre o Céu e a Terra assistimos ao espectáculo do mundo. (Tema da LUZBOA ) Os artistas têm um importante papel na sociedade: o de serem considerados passadores, Limbo(s) (Latim tardio limbus ), palavra de derivação teutónica , significando literalmente margem Limbo não é o Céu nem o Inferno, não é culpa nem graça, castigo ou recompensa, é uma existência intermédia, qualquer coisa que está entre . Corpos abandonados, despojados de identidade, do que foram e do que possuíram, suspensos entre o céu e a terra, entre a vida e a morte. Seres que libertaram demónios que não dominam e a eles hipotecaram o controle do seu destino. Limbo é uma metáfora de um estado limiar onde poderemos já estar, enquanto indivíduos, povo ou humanidade. A instalação assume a sua semelhança a uma capela ou igreja e a imagem da caixa de luz no tecto aparece como um motivo escatológico que, tentando incorporar as marcas da contemporaneidade, remete para as cenas pintadas nos tectos das igrejas. A instalação permite resguardar a imagem, tornando-a visível apenas para quem entra na estrutura. O lugar, a forma e a música pretendem criar um espaço de contemplação no meio da cidade, que exige tempo ao espectador para que esse espaço se revele iniciático e a experiência assuma um carácter transcendente. O tema da luz aparece metaforicamente associado à ideia de iluminação , no sentido de quem é iluminado , tornando-se a instalação um espaço de luz . Esta ideia é acentuada pela luz que emana da estrutura, através da parede translúcida, surgindo como uma casa da luz . O fundo negro faz o raccord com o céu à noite. A imagem surge assim entre o céu e a terra, nem céu nem terra, um não-lugar …
2008 LUÍS CAMPOS > OBRAS 1982_2008 > FOTOGRAFIA E VIDEO A unicidade do trabalho de Luís Campos, o percurso da carreira e a sua evolução permitiram considerar que era chegado o momento de proporcionar uma visão alargada da sua obra, razão pela qual se organizou a iniciativa LUIS CAMPOS > 1982_2008 > Fotografia & Vídeo que aproveita a existência de Corpos-de-Trabalho singulares e explora a fragmentação dos locais de exposição como uma mais valia que urge potenciar como um Percurso.
2009 ALL-INCLUSIVE _Allgarve/Galeria Trem, Faro
All-inclusive refere-se a uma tipologia de resorts. O Resort é um espaço de transição, uma gigantesca encenação habitada, uma terra de ninguém, a que ninguém pertence. Uns fazem a catarse de um ano de trabalho, procurando, num tempo condensado, uma hipervivência de sensações que preencham o espaço onírico do resto do ano. Outros procuram apenas parar e deixar deslizar o tempo ao sabor duma programação externa. O vazio fica mais exposto. Também os empregados são de outras terras, vieram em busca de emprego, estas não são as suas casas, as suas famílias estão longe. Todos são actores duma encenação que proporciona aos clientes uma oportunidade de evasão. O Resort é um espaço cénico, mais dramático à noite, sob a luz branca dos projectores incindindo sobre as árvores, sobre as fontes, as piscinas, os toldos desabitados. Ao crepúsculo um pianista derrama a sua arte no vazio de um palco, esbarrando na indiferença das conversas distraídas dos clientes do bar. Epílogo: o espectáculo nocturno, anunciado em quatro línguas, feérico, colorido. Fim súbito. Os projectores apagam-se, o silêncio instala-se e as ondas que morrem na praia continuam a murmurar.
2009 TRANSFRONTEIRAS _com a OrchestrUtópica, Culturgest, Lisboa Transfronteiras um concerto-instalação Mas, para além de epifenómenos historicamente conhecidos (Wagner, Cocteau, etc.) e do curso autónomo que o género ópera tem seguido, há que reconhecer que as artes visuais, neste campo, têm revelado uma maior agilidade, acedendo ao plano da opera (obra) através da instalação em consequência da questionação dos seus limites internos. Este concerto propõe esse encontro: entre a obra e mundo imagético do artista Luís Campos e a música contemporânea – num acontecimento único. E não é sem razão que aqui invocamos a ideia de ópera – o grande género e o conceito – pois ela tem sido o modelo por excelência de uma arte de interacções. É também no olhar “dramático” de Luís Campos que encontramos um ponto de contacto essencial inesperadamente musical. Para além da questão tecnológica, o que está verdadeiramente em discussão é o problema da interacção. No fundo, recuando a Wagner (para não irmos mais longe), é preciso reconhecer que um princípio começava a ruir: o do momento musical. A proposta wagneriana, no final do século XIX, era a de um teatro concebido como um espaço de imersão, ou seja, o local onde a obra era dada a público obrigava pela sua condição física à imersão do público na experiência do acontecimento. Esse momento modernamente fundador tem sido por vezes sobreavaliado em relação aos problemas concretos da ópera enquanto género, ou seja, naquilo em que aquele modelo subvertia nas formas tradicionais de recepção da ópera. Porém, o seu interesse renova-se quando reconhecemos nos seus pressupostos elementos que nos permitem compreender e agir sobre o contemporâneo. O desafio de programar um concerto audiovisual, ou seja, de programar peças visuais e peças musicais em interrelação, só encontra correspondente na própria tarefa de compor e criar um obra nova. Este concerto é concebido, ele mesmo, como uma obra una. É portanto, composto. Sendo as obras dentro dele parte de um programa dado a ver e a escutar em simultâneo, de modo a provocar uma forma de imersão que rejeita, apesar de tudo, a irracionalidade da comunhão wagneriana e propõe antes um projecto de experiência racional de relação com a simultaneidade. Não se trata, portanto, neste concerto, de uma nova forma de contemplar a obra visual de Luís Campos (com música), nem de uma nova forma de ouvir a música dos diferentes compositores (com imagem). Trata-se antes de viver a experiência – simultaneamente racional e emocional – de fazer parte de uma realidade proposta, diferente da realidade. Na verdade, a questionação da forma concerto (na sala de concertos) corresponde à questionação da forma exposição (de dar a ver) – na galeria e no museu (duas instituições problemáticas). A proposta que fazemos é a de uma plataforma artística composta num plano antecipador de futuros: o plano da opera (obra) que se constitui numa relação diferente com o público, questionando distâncias e promovendo experiências.
Imersão Para além da música (dos sons), neste concerto predominam imagens. São imagens que possuem um programa próprio. Mas a imagem define-se a si mesma por relação com outra coisa fora dela, outra imagem ou fantasia que pode ser usada para reafirmar o poder da fabricação de imagens. No plano da imaterialidade da imagem (vídeo) na sua relação com a música (uma arte “cega” e invisível) cria-se um espaço fecundo ancorado na experiência estética (da sensibilidade) e humana de imersão num dispositivo concentrado. A integração de todos os elementos num momento de imersão cria a excepcionalidade do acontecimento. Se por um lado há as imagens e por outro a música, no fundo o acontecimento consiste na experiência de participar na produção do acontecimento. A simulação de uma utopia num espaço de recreação heterotópica do real (Foucault) um “contra-lugar” (não um u-topos, mas um hetero-topos) consiste numa espécie de utopia activada excepcionalmente num espaço isolado, na qual o real que existe na cultura é representado em diferentes formas em simultâneo, é discutido e invertido. Lugares assim estão fora de todos os lugares. Trata-se pois de uma disfuncionalidade paradoxal. Não só do espaço do concerto (e da ideia de concerto – que tem pouco mais de 200 anos), mas do espaço da realidade. A excepcionalidade deste concerto consiste simplesmente no facto de ele se propor como um recorte na realidade, uma experiência única num hetero-topos, num não espaço de formas sonoras e visuais. Nesta heterotopia de acontecimentos geram-se por si mesmos novos tipos de interacção com o público e propõem-se assim diferentes formas de interpretação. Aqui experiência é mediada através do corpo: o grau de estímulo que faz mover as nossas faculdades sensoriais está directamente ligado ao impacto que essa experiência têm em nós. Uma obra experimentada num ambiente de imersão pode ser entendida como um misto de prazer sensorial e narcísico que se propõe aos participantes. Nas palavras de Frederic Jameson, de facto, “estamos submersos até ao ponto em que os nossos corpos pós-modernos estão desligados das coordenadas espaciais e somos praticamente incapazes de distanciação”. Este “modo de imersão”, é uma condição-chave para a contemplação contemporânea (para o exercício da visão e da audição). Contra a perspectiva geométrica que ordena e estabiliza o espaço e as percepções do real, o contemporâneo deu lugar à relatividade de um espaço acidentado, descontínuo e heterogéneo e encontrou no “modo de imersão” uma forma de regresso ao Eu interior mediada pelo corpo e pela experiência estética.
2011 VESTÍGIOS _Museu da Electricidade, Lisboa
Vestígios O conjunto de 39 fotografias e dois vídeos que constituem esta exposição foram tiradas em 2000, a convite da comissão instaladora da Fundação EDP. Nesta altura, o Museu de Eletricidade encontrava-se no início de um longo processo de restauro. Era necessário encontrar espaços para uma exposição que reforçasse a vontade da Comissão Instaladora da Fundação EDP em promover a arte contemporânea. No vasto campus, um edifício destaca-se ainda hoje pelo inesperado perfil exterior, em torre, e pelo precioso segredo do seu espaço interior: é a chamada Carpintaria e, a ela adossado, o Armazém Novo. Na realidade, estes foram os primeiros edifícios a serem construídos nesta área, datando do fim do século XIX, tendo albergado a Refinaria da Companhia do Assucar de Moçambique. A escolha destes lugares foi simples mas a sua adaptação à nova função, complexa. Desativados na década de 1980, estes espaços eram depósito de tudo o que se estragava ou era dado como obsoleto. As fotografias seleccionadas, de um conjunto de mais de 300, são originais Polaroid SX-70 digitalizados, que fixam os vestígios da vivência de muitos operários que ali trabalharam: máquinas, instrumentos, tábuas, serradura, catálogos, listagens, calendários, livros de registos e outros. A exposição integra ainda dois vídeos: “Carpintaria “ e “Percurso”. O primeiro tem um único plano e representa a assemblage de cinco filmes que formam uma ampla panorâmica da carpintaria. Na primeira parte ouve-se a música de Rui Gato, que resultou do tratamento digital de sons de carpintaria e depois Joaquim Furtado diz poemas de Walt Whitman, Herberto Helder, F Nietzche, Jorge de Sena e Paul Bowles, alternando com leituras de escritos dos operários encontrados na carpintaria, ditos por Márcia Breia. “Percurso” é travelling nocturno de 12 minutos ao logo do edifício, entrecortado por imagens sobre expostas e fantasmáticas que resultam de disparos de flash, rendidos a 1% da velocidade normal. A música original é de José Júlio Lopes.
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